quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


Entretanto, saudade, decepção e fé



                 Longos dias e horas e minutos e, porque não dizer, segundos. Uma aparente infinita espera que a maior distração não possa submeter. Mesmo assim, durmo. Acordo. É a certeza de que o firmamento se move assim como tudo se envelhece.
                Entretanto, o momento surge e meu órgão mais vital parece explodir de demasiado sentimento. Entretanto, a expressão parece desconfortável, minguada por sorrisos educativos na forma do social. Entretanto, não me deixo abater. Faço o cortejo e sou o amável e mais prestativo de sempre. Sou retribuído com aventuras da via real  e o clima se torna mais sugestivo. Entretanto, assim que me calo, logo a Transilvânia reina. Um mórbido e sonolento ambiente. Vislumbro o frio tempero do ar, um frio imaginário, pois minha pátria é muito tropical. De qualquer forma; o mundo vai me caindo. Entretanto, recomeço com meu persistido entusiasmo e arrisco um toque, não há reação. Reflito um pouco, ainda no toque, e calculo que o cansaço é forte e penso na saída... Entretanto, sou um homem de fé inestimável! O toque que precisava a dias não foi desfeito, não por mim. Um movimento e logo me separo. Como um ser refugiado me encosto devagar. Espero. Nada. Meus pensamentos vagam por tristes azulados terrenos...
                De momento desisto. Ponho-me de pé e sigo para outro ambiente, procuro algum fazer e me calo. Vou de lá pra cá e daqui pra lá. Percebo que o tempo de espera não acabou e logo uma forte emoção me toma. Como todo machista escondo a vergonha e percebo que não há como esconde-la de mim. Enclausuro-me como antes e  sofro decepcionado. Entretanto, como antes, agora e sempre, fui, sou e serei sempre um homem teimoso na fé. Sigo fervoroso e, entretanto, a decepção, apesar de forte não é o suficiente. 
                                           
                                                                              Ariam Cavalcante - 01 agosto/2011

domingo, 27 de janeiro de 2013


Em solidariedade as famílias e, talvez, a todos nós.


Pirotombe

    Costumo escrever sobre minha pessoa, porém um fato me entristece. Um fato que ainda ocorre, consumindo minha mente e liberando meus instintos benignos. Para muitos acabou. Para quem vive segue com a tristeza de novos dias e novas mortes. Segue com a infinita dor carregada de fumaça e fogo.  Quem não morreu hoje, por mais feliz que esteja? Quem por um instante, um mínimo talvez, não foi tocado pela fúria da morte e sentiu o amargo da tristeza? O toque macabro se expande por tudo e para todos. A densidade é ressente e permanecerá por tempos e por remotas comparações serão lembradas.
    A pirotecnia tem por consequência consumir seu combustível formal, porém dessa vez consumiu, consome e ainda consumirá lágrimas, tristeza e morte. A lição fica. A sempre "fria" forma de ensinar e aprender. Vida e morte continuam. Sobreviveremos talvez eu e você. Talvez todos. Ou talvez ninguém.
                                                                                           
                                                                                       Ariam Cavalcante - 27 janeiro/2013


Sou o homem que sou


 Por que não julgar? Um hábito original!
Sou assim desde pequeno. Meus gostos me definem e me caracterizam, me torna absoluto. Nasci assim e acredito que morrerei assim. Sou amável e prestativo assim como hipócrita e preconceituoso. Definir por defeito ou qualidade é muito fácil e compreensível, o ponto de vista é meu e não de um padrão que por si  também possui seus julgamentos, considerando as virtudes e ou as desgraças. Não por isso precisa haver submissão a tal comum acordo modal. A diferença cria a personalidade, meu padrão é pessoal. Escolhas, caminhos e decisões são tomadas por aquilo que sou e o que sou é definido por aquilo que vi e aquilo que vi é definido pelo meu ponto de vista crítico e reflexivo. Não há outro igual, com certeza não há... Talvez parecido, mas mesmo assim muito diferente. Apesar de ser um grão de areia, sou único perante milhares. Por isso julgo somente. Não me considero errado, sou fruto das minhas decisões, das minhas definições e das minhas ações. Eu, e apenas eu, me considero em um mundo cheio de coletivos e comuns acordos. Posso ser social meu caro, mas é somente por meu interesse e não por causa de um padrão hipocritamente elaborado pelo covarde lado da vida. Me considere mal ou bem, o que interessa, de fato, é aquilo definido por meu egoísmo, esse nada hipócrita, que me defende. Sou um, sou único, sou eu e mim mesmo e não há interesse meu que seja, no todo, comum a outro. Desde que me lembro, pelo que já li e soube, a moda, o comum é considerado "normal", porém digo, ainda buscando nos meus arquivos mentais, que quando se é diferente, se é destaque, se é unânime, se é único.                    
Bem ou mal, bom ou mau. Essa é minha opinião, queira você ou não. O que não me interessa é o que achas.

                                                      Ariam Cavalcante - 22 Julho/2011

terça-feira, 22 de janeiro de 2013


Reflexão dos olhos multicores...



       Certa vez, estava no trem chegando à central do Brasil, quando me deparei com um "poema". Escrito em uma parede depredada, ele era exatamente assim:

    "Pra que olhos azuis
     Se o que nóis chera é verde
    e dexa o nosso vermelho..."

Confesso que até agora este enigmático "poema" me deixou a "ver" navios!
Uma mistura de cores onde, apesar do português inovado, esse que chamamos de coloquial (nesse caso da comunidade local), demonstrou ser pensativo e criativo. Logo que li pensei, o que uma erva não faz com as pessoas... Porém, apesar da simplicidade; causa reflexão, talvez "chera o verde" seja a forma mais "adequada" para entender, de fato, essa "transformação" dos olhos... Ou talvez você possa perguntar a algum "ser viajante" que veja por aí (não é difícil...). 
Esse pequeno texto realmente me causou reflexão. Preocupo-me se em um futuro bem próximo esse tipo de leitura possa se tornar literária... E olha que eu não ligava muito para as leituras metafóricas de Machado de Assis... Espero que mais Machados apareçam e que a reflexão se torne um foco mais metafórico, onde apesar de ser um pouco mais difícil de entender, pelo menos no início, é melhor do que precisar metamorfosear minha íris em várias cores para que eu possa entender um simples texto idiota, cheio de erros de português e simplesmente descartável.


                                                      Ariam Cavalcante - 11 Julho/2011

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Boa Noite!


Postarei textos que escrevi durante algum tempo atrás, todos com datas. Portanto quando eu postar um novo vocês terão conhecimento.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Recepção


Posso dizer bem-vinda ou quem sabe chega mais.
Posso convidá-la a entrar e viver.
Posso chamá-la a ler e refletir.
Mas não posso lhe explicar o todo motivo.

Posso lhe explicar, talvez, o mínimo ou quem sabe o máximo.
Posso ser relativo ao relatar.
Posso criar uma fantasia ou a realidade.
Mas a resolução é sua.

Posso denotar ou quem sabe figurar.
Posso odiá-la ou amá-la.
Posso lhe mostrar o céu ou o inferno.
Mas a escolha é sua.

Posso ter um propósito ou quem sabe sou louco.
Posso viver e morrer aos poucos.
Posso o posso e não posso parar.
Mas você, a pessoa no papel de leitor e crítico do saber, pode mais.

Muito mais...

                                                     Ariam Marinho - 20 Janeiro/2013