quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


Purgatório



                     O pulsar se torna forte,
                A matéria estremece.
                O espanto toma conta.
                A espinha desaquece.

                O porvir dos fatos,
                A vida toma fôlego.
                O amor se diz ausente,
                A carne vira osso.

                O homem antes vigor,
                A dor se torna prece.
                O medo antes fosco,
                A morte faz seu cerque.

                O dia se torna mês
                À madrugada infanta
                Oh vida de burguês
                Ah vida de esperança.
               

                                               Ariam Cavalcante – 09 de Janeiro/ 2013

Entretanto, saudade, decepção e fé



                 Longos dias e horas e minutos e, porque não dizer, segundos. Uma aparente infinita espera que a maior distração não possa submeter. Mesmo assim, durmo. Acordo. É a certeza de que o firmamento se move assim como tudo se envelhece.
                Entretanto, o momento surge e meu órgão mais vital parece explodir de demasiado sentimento. Entretanto, a expressão parece desconfortável, minguada por sorrisos educativos na forma do social. Entretanto, não me deixo abater. Faço o cortejo e sou o amável e mais prestativo de sempre. Sou retribuído com aventuras da via real  e o clima se torna mais sugestivo. Entretanto, assim que me calo, logo a Transilvânia reina. Um mórbido e sonolento ambiente. Vislumbro o frio tempero do ar, um frio imaginário, pois minha pátria é muito tropical. De qualquer forma; o mundo vai me caindo. Entretanto, recomeço com meu persistido entusiasmo e arrisco um toque, não há reação. Reflito um pouco, ainda no toque, e calculo que o cansaço é forte e penso na saída... Entretanto, sou um homem de fé inestimável! O toque que precisava a dias não foi desfeito, não por mim. Um movimento e logo me separo. Como um ser refugiado me encosto devagar. Espero. Nada. Meus pensamentos vagam por tristes azulados terrenos...
                De momento desisto. Ponho-me de pé e sigo para outro ambiente, procuro algum fazer e me calo. Vou de lá pra cá e daqui pra lá. Percebo que o tempo de espera não acabou e logo uma forte emoção me toma. Como todo machista escondo a vergonha e percebo que não há como esconde-la de mim. Enclausuro-me como antes e  sofro decepcionado. Entretanto, como antes, agora e sempre, fui, sou e serei sempre um homem teimoso na fé. Sigo fervoroso e, entretanto, a decepção, apesar de forte não é o suficiente. 
                                           
                                                                              Ariam Cavalcante - 01 agosto/2011