quarta-feira, 20 de março de 2013


       Desastre Serrano           


                Fonte de vida, fonte de morte.
                Sacia a sede, implora o ar.
                As famílias choram. O mundo ri.
                O barro cede, chupa, irriga, desaba.

                Molha-se o rosto, tudo vira torpe.
                Culpa é turva, quem vai pagar?
                Os homens diluem. A história sorrir.
                O líquido à terra, escorre, lava, escava.

                A fonte deságua, firmamento cospe!
                Inimigos inocentes. A arma faz implorar.
                As lembranças surgem, fato a repetir...
                O dilúvio arrasta, arranca, desmata, mata.

                                                                               Ariam Cavalcante - 20 Março/2013


Manhã de dia útil

Acordo, espreguiço, escovo, como.
Limpo, visto, perfumo, abro, fecho reflito...
Desço, abro, fecho, percorro, atravesso, percorro subo, pago, desço.
Sento, espero, reflito...
Vejo, levanto, espero, entro, procuro, sento, reflito...
Leio, olho, leio, durmo, leio, olho, chego.
Levanto, sigo, paro, conto, pago, como, reflito...
Limpo, percorro, saio.
Desço, percorro, atravesso, sigo, desvio, desvio, desvio.
Atravesso, percorro, viro, paro, leio, reflito...
Sigo, entro, espero, entro, sorrio, socializo, reflito...
Sorrio, saio, viro, sorrio, socializo, brinco, sento, reflito...
Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho...

                                                                     Ariam Cavalcante - 26 agosto/2011

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dedicado a ELAS...


A!


Dedução de certo gênero que conduz a geração da vida.
Emissão de aparente fragilidade.
União máxima do Conceito feminino. 
Salienta as palavras para a conclusão dos seus atos.
Ambiciona sempre ser a mais das mais aparentes letras.
Musical de sensações e notas variantes.
Unanime! Incomparável! 
Linda! Maravilha da natureza. Sobressai seu semelhante oposto.
Hidratante da vida.  Desperta o mais safado e o mais puro sentimentos. 
Entoa seu canto sereia! Entoa as palavras e conduz! E manda!
Reproduz! Alimenta o mundo com a carne e o sopro da vida!
Prevalecem no mundo seus incontáveis filhos e seus incontáveis súditos. Nós! A força física, o bruto! Lapidados todos os dias Por vossas engenharias de mulher; nossas mães, irmãs, amigas, companheiras e deusas. Como retribuir? Como não amar? Nos basta, no mais íntimo dos íntimos segredos, vivermos por vocês e nada mais.

                                                                                   Ariam Cavalcante - 8 de Março/2013 

quinta-feira, 7 de março de 2013


Precipício



Sabe. Quando a vida lhe impõe suas obrigações. A verdade lhe diz a verdade. A razão se torna presente.

Sabe. Quando um sorriso não lhe traz emoção. A presença se torna notória. A busca se torna um fardo.

Sabe. Quando o toque não é o bastante. O motivo perde valor. A emoção se torna vazia.

Sabe. Quando a luz não lhe trás o conforto. A palavra se torna fugaz. A magia da vida desaparece diante de pensamentos anti-resolutivos.

Sabe. Quando você espera por uma solução e com relutância parece em vão. O caminho acaba em retornos.

Sabe. Quando todos parecem alegres. O colorido ao redor encobre o cinza-escuro da sua visão. Passa o mundo e fica a fagulha da vida.   

Sabe. Quando nada se torna a distração. A condição parece impossível e a probabilidade vira inimiga.

Sabe. Quando a penumbra se torna residência. O sono se torna refúgio. A fuga para um  interessante sonho se torna tentação.  

Sabe. Quando o silencio vira um idioma e você precisa de um tradutor. A necessidade se torna muito presente.

Sabe. Quando beira a covardia para uns. A ignorância se faz presente e a esperança...
A esperança agoniza...

Sabe. Preciso concretizar sonhos, por meros que forem. Acreditar não é o bastante.

                                                                      
                    Ariam Cavalcante – 14 fevereiro/2013

 Certos encontros da vida 


Complicadamente difícil. Gostaria de ser como o beija-flor, na sua facilidade de abordar a flor e sugar seu precioso material. Mas minha natureza é outra. Mistura de ansiedade com segurança. Meu coração é mais lento e meu alvo é mais inteligente. Porém, no final, essa mesma minha natureza me sustenta. Vejo, aprecio, penso e vejo novamente. Minha percepção fica mais aguçada e persisto nos meus verbos. A expressão permanece enigmática. 

Insisto. Sou retribuído de forma rápida porém ainda duvidosa. Um duro jogo inicial! Como ganhar facilmente? Não sei, ou sei, mas qual o interesse da pressa.

Continuo. Alerta, porém aparentemente calmo. Não me abalo pela demora. Sou fervoroso. Meus gestos são suaves, minha face pouco se transforma, quase sério. 

Suponho. O movimento é decisivo. Então vejo, não é muito clara, mas é  lisa e meus instintos me faz agir.

Ando. Os olhos paralisados, constantes, recaídos e objetivos. O mais reto possível me aproximo e algo sinto. É intenso, sensação de força e poder. O controle.

Mantenho. Minha chegada foi interessante e sou bem recebido. A apresentação é calma e pouco fria. O calor me chega ao rosto, mas ainda, obstante meu objetivo está mais próximo.

Toco. O aroma é atraente. Paciência é fundamental, é necessária. O tempo para e só o mundo em questão existe.

Arrisco. Mais perto, o suficiente para uma possível reação negativa, porém demonstro controle e isso me ajuda.

Encaro. mais próximo ainda. Me sinto mais quente e não sou o único. 

Faço. A troca é inevitável e o prazer é indescritível. O encontro. Minha confiança ganha mais terreno e meu objetivo é alcançado.

Seduzo. A tensão é minimizada, mas cumpro meu dever primário. Logo reflito e novos objetivos são novamente traçados.

Vivo. A cada passo uma nova emoção. Intensamente exploro e sou explorado.


                                                                         Ariam Cavalcante - 29 Julho/2011