quinta-feira, 7 de março de 2013


 Certos encontros da vida 


Complicadamente difícil. Gostaria de ser como o beija-flor, na sua facilidade de abordar a flor e sugar seu precioso material. Mas minha natureza é outra. Mistura de ansiedade com segurança. Meu coração é mais lento e meu alvo é mais inteligente. Porém, no final, essa mesma minha natureza me sustenta. Vejo, aprecio, penso e vejo novamente. Minha percepção fica mais aguçada e persisto nos meus verbos. A expressão permanece enigmática. 

Insisto. Sou retribuído de forma rápida porém ainda duvidosa. Um duro jogo inicial! Como ganhar facilmente? Não sei, ou sei, mas qual o interesse da pressa.

Continuo. Alerta, porém aparentemente calmo. Não me abalo pela demora. Sou fervoroso. Meus gestos são suaves, minha face pouco se transforma, quase sério. 

Suponho. O movimento é decisivo. Então vejo, não é muito clara, mas é  lisa e meus instintos me faz agir.

Ando. Os olhos paralisados, constantes, recaídos e objetivos. O mais reto possível me aproximo e algo sinto. É intenso, sensação de força e poder. O controle.

Mantenho. Minha chegada foi interessante e sou bem recebido. A apresentação é calma e pouco fria. O calor me chega ao rosto, mas ainda, obstante meu objetivo está mais próximo.

Toco. O aroma é atraente. Paciência é fundamental, é necessária. O tempo para e só o mundo em questão existe.

Arrisco. Mais perto, o suficiente para uma possível reação negativa, porém demonstro controle e isso me ajuda.

Encaro. mais próximo ainda. Me sinto mais quente e não sou o único. 

Faço. A troca é inevitável e o prazer é indescritível. O encontro. Minha confiança ganha mais terreno e meu objetivo é alcançado.

Seduzo. A tensão é minimizada, mas cumpro meu dever primário. Logo reflito e novos objetivos são novamente traçados.

Vivo. A cada passo uma nova emoção. Intensamente exploro e sou explorado.


                                                                         Ariam Cavalcante - 29 Julho/2011

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