domingo, 30 de junho de 2013



        Simplório

                Como em vida,
                Sou na escrita.
                Lapido a verdade,
                Manejo a mentira.

                Problemas norteiam-me,
                Meu mundo é unânime
                Desejo comum egoísta,
                Cativo de sites errantes.

                Tato sujos teclados,
                Tais vogais, tais consoantes
                Assalto meus sinceros sentidos,
                Concluo falsos atos possantes

                Segue a vida manuscrita,
                Segue a morte delirante.
                Segue a máquina vencida,
                Segue o homem inoperante.

                                               Ariam Cavalcante – 28 Junho/2013

quarta-feira, 20 de março de 2013


       Desastre Serrano           


                Fonte de vida, fonte de morte.
                Sacia a sede, implora o ar.
                As famílias choram. O mundo ri.
                O barro cede, chupa, irriga, desaba.

                Molha-se o rosto, tudo vira torpe.
                Culpa é turva, quem vai pagar?
                Os homens diluem. A história sorrir.
                O líquido à terra, escorre, lava, escava.

                A fonte deságua, firmamento cospe!
                Inimigos inocentes. A arma faz implorar.
                As lembranças surgem, fato a repetir...
                O dilúvio arrasta, arranca, desmata, mata.

                                                                               Ariam Cavalcante - 20 Março/2013


Manhã de dia útil

Acordo, espreguiço, escovo, como.
Limpo, visto, perfumo, abro, fecho reflito...
Desço, abro, fecho, percorro, atravesso, percorro subo, pago, desço.
Sento, espero, reflito...
Vejo, levanto, espero, entro, procuro, sento, reflito...
Leio, olho, leio, durmo, leio, olho, chego.
Levanto, sigo, paro, conto, pago, como, reflito...
Limpo, percorro, saio.
Desço, percorro, atravesso, sigo, desvio, desvio, desvio.
Atravesso, percorro, viro, paro, leio, reflito...
Sigo, entro, espero, entro, sorrio, socializo, reflito...
Sorrio, saio, viro, sorrio, socializo, brinco, sento, reflito...
Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho...

                                                                     Ariam Cavalcante - 26 agosto/2011

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dedicado a ELAS...


A!


Dedução de certo gênero que conduz a geração da vida.
Emissão de aparente fragilidade.
União máxima do Conceito feminino. 
Salienta as palavras para a conclusão dos seus atos.
Ambiciona sempre ser a mais das mais aparentes letras.
Musical de sensações e notas variantes.
Unanime! Incomparável! 
Linda! Maravilha da natureza. Sobressai seu semelhante oposto.
Hidratante da vida.  Desperta o mais safado e o mais puro sentimentos. 
Entoa seu canto sereia! Entoa as palavras e conduz! E manda!
Reproduz! Alimenta o mundo com a carne e o sopro da vida!
Prevalecem no mundo seus incontáveis filhos e seus incontáveis súditos. Nós! A força física, o bruto! Lapidados todos os dias Por vossas engenharias de mulher; nossas mães, irmãs, amigas, companheiras e deusas. Como retribuir? Como não amar? Nos basta, no mais íntimo dos íntimos segredos, vivermos por vocês e nada mais.

                                                                                   Ariam Cavalcante - 8 de Março/2013 

quinta-feira, 7 de março de 2013


Precipício



Sabe. Quando a vida lhe impõe suas obrigações. A verdade lhe diz a verdade. A razão se torna presente.

Sabe. Quando um sorriso não lhe traz emoção. A presença se torna notória. A busca se torna um fardo.

Sabe. Quando o toque não é o bastante. O motivo perde valor. A emoção se torna vazia.

Sabe. Quando a luz não lhe trás o conforto. A palavra se torna fugaz. A magia da vida desaparece diante de pensamentos anti-resolutivos.

Sabe. Quando você espera por uma solução e com relutância parece em vão. O caminho acaba em retornos.

Sabe. Quando todos parecem alegres. O colorido ao redor encobre o cinza-escuro da sua visão. Passa o mundo e fica a fagulha da vida.   

Sabe. Quando nada se torna a distração. A condição parece impossível e a probabilidade vira inimiga.

Sabe. Quando a penumbra se torna residência. O sono se torna refúgio. A fuga para um  interessante sonho se torna tentação.  

Sabe. Quando o silencio vira um idioma e você precisa de um tradutor. A necessidade se torna muito presente.

Sabe. Quando beira a covardia para uns. A ignorância se faz presente e a esperança...
A esperança agoniza...

Sabe. Preciso concretizar sonhos, por meros que forem. Acreditar não é o bastante.

                                                                      
                    Ariam Cavalcante – 14 fevereiro/2013

 Certos encontros da vida 


Complicadamente difícil. Gostaria de ser como o beija-flor, na sua facilidade de abordar a flor e sugar seu precioso material. Mas minha natureza é outra. Mistura de ansiedade com segurança. Meu coração é mais lento e meu alvo é mais inteligente. Porém, no final, essa mesma minha natureza me sustenta. Vejo, aprecio, penso e vejo novamente. Minha percepção fica mais aguçada e persisto nos meus verbos. A expressão permanece enigmática. 

Insisto. Sou retribuído de forma rápida porém ainda duvidosa. Um duro jogo inicial! Como ganhar facilmente? Não sei, ou sei, mas qual o interesse da pressa.

Continuo. Alerta, porém aparentemente calmo. Não me abalo pela demora. Sou fervoroso. Meus gestos são suaves, minha face pouco se transforma, quase sério. 

Suponho. O movimento é decisivo. Então vejo, não é muito clara, mas é  lisa e meus instintos me faz agir.

Ando. Os olhos paralisados, constantes, recaídos e objetivos. O mais reto possível me aproximo e algo sinto. É intenso, sensação de força e poder. O controle.

Mantenho. Minha chegada foi interessante e sou bem recebido. A apresentação é calma e pouco fria. O calor me chega ao rosto, mas ainda, obstante meu objetivo está mais próximo.

Toco. O aroma é atraente. Paciência é fundamental, é necessária. O tempo para e só o mundo em questão existe.

Arrisco. Mais perto, o suficiente para uma possível reação negativa, porém demonstro controle e isso me ajuda.

Encaro. mais próximo ainda. Me sinto mais quente e não sou o único. 

Faço. A troca é inevitável e o prazer é indescritível. O encontro. Minha confiança ganha mais terreno e meu objetivo é alcançado.

Seduzo. A tensão é minimizada, mas cumpro meu dever primário. Logo reflito e novos objetivos são novamente traçados.

Vivo. A cada passo uma nova emoção. Intensamente exploro e sou explorado.


                                                                         Ariam Cavalcante - 29 Julho/2011

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


Purgatório



                     O pulsar se torna forte,
                A matéria estremece.
                O espanto toma conta.
                A espinha desaquece.

                O porvir dos fatos,
                A vida toma fôlego.
                O amor se diz ausente,
                A carne vira osso.

                O homem antes vigor,
                A dor se torna prece.
                O medo antes fosco,
                A morte faz seu cerque.

                O dia se torna mês
                À madrugada infanta
                Oh vida de burguês
                Ah vida de esperança.
               

                                               Ariam Cavalcante – 09 de Janeiro/ 2013

Entretanto, saudade, decepção e fé



                 Longos dias e horas e minutos e, porque não dizer, segundos. Uma aparente infinita espera que a maior distração não possa submeter. Mesmo assim, durmo. Acordo. É a certeza de que o firmamento se move assim como tudo se envelhece.
                Entretanto, o momento surge e meu órgão mais vital parece explodir de demasiado sentimento. Entretanto, a expressão parece desconfortável, minguada por sorrisos educativos na forma do social. Entretanto, não me deixo abater. Faço o cortejo e sou o amável e mais prestativo de sempre. Sou retribuído com aventuras da via real  e o clima se torna mais sugestivo. Entretanto, assim que me calo, logo a Transilvânia reina. Um mórbido e sonolento ambiente. Vislumbro o frio tempero do ar, um frio imaginário, pois minha pátria é muito tropical. De qualquer forma; o mundo vai me caindo. Entretanto, recomeço com meu persistido entusiasmo e arrisco um toque, não há reação. Reflito um pouco, ainda no toque, e calculo que o cansaço é forte e penso na saída... Entretanto, sou um homem de fé inestimável! O toque que precisava a dias não foi desfeito, não por mim. Um movimento e logo me separo. Como um ser refugiado me encosto devagar. Espero. Nada. Meus pensamentos vagam por tristes azulados terrenos...
                De momento desisto. Ponho-me de pé e sigo para outro ambiente, procuro algum fazer e me calo. Vou de lá pra cá e daqui pra lá. Percebo que o tempo de espera não acabou e logo uma forte emoção me toma. Como todo machista escondo a vergonha e percebo que não há como esconde-la de mim. Enclausuro-me como antes e  sofro decepcionado. Entretanto, como antes, agora e sempre, fui, sou e serei sempre um homem teimoso na fé. Sigo fervoroso e, entretanto, a decepção, apesar de forte não é o suficiente. 
                                           
                                                                              Ariam Cavalcante - 01 agosto/2011

domingo, 27 de janeiro de 2013


Em solidariedade as famílias e, talvez, a todos nós.


Pirotombe

    Costumo escrever sobre minha pessoa, porém um fato me entristece. Um fato que ainda ocorre, consumindo minha mente e liberando meus instintos benignos. Para muitos acabou. Para quem vive segue com a tristeza de novos dias e novas mortes. Segue com a infinita dor carregada de fumaça e fogo.  Quem não morreu hoje, por mais feliz que esteja? Quem por um instante, um mínimo talvez, não foi tocado pela fúria da morte e sentiu o amargo da tristeza? O toque macabro se expande por tudo e para todos. A densidade é ressente e permanecerá por tempos e por remotas comparações serão lembradas.
    A pirotecnia tem por consequência consumir seu combustível formal, porém dessa vez consumiu, consome e ainda consumirá lágrimas, tristeza e morte. A lição fica. A sempre "fria" forma de ensinar e aprender. Vida e morte continuam. Sobreviveremos talvez eu e você. Talvez todos. Ou talvez ninguém.
                                                                                           
                                                                                       Ariam Cavalcante - 27 janeiro/2013


Sou o homem que sou


 Por que não julgar? Um hábito original!
Sou assim desde pequeno. Meus gostos me definem e me caracterizam, me torna absoluto. Nasci assim e acredito que morrerei assim. Sou amável e prestativo assim como hipócrita e preconceituoso. Definir por defeito ou qualidade é muito fácil e compreensível, o ponto de vista é meu e não de um padrão que por si  também possui seus julgamentos, considerando as virtudes e ou as desgraças. Não por isso precisa haver submissão a tal comum acordo modal. A diferença cria a personalidade, meu padrão é pessoal. Escolhas, caminhos e decisões são tomadas por aquilo que sou e o que sou é definido por aquilo que vi e aquilo que vi é definido pelo meu ponto de vista crítico e reflexivo. Não há outro igual, com certeza não há... Talvez parecido, mas mesmo assim muito diferente. Apesar de ser um grão de areia, sou único perante milhares. Por isso julgo somente. Não me considero errado, sou fruto das minhas decisões, das minhas definições e das minhas ações. Eu, e apenas eu, me considero em um mundo cheio de coletivos e comuns acordos. Posso ser social meu caro, mas é somente por meu interesse e não por causa de um padrão hipocritamente elaborado pelo covarde lado da vida. Me considere mal ou bem, o que interessa, de fato, é aquilo definido por meu egoísmo, esse nada hipócrita, que me defende. Sou um, sou único, sou eu e mim mesmo e não há interesse meu que seja, no todo, comum a outro. Desde que me lembro, pelo que já li e soube, a moda, o comum é considerado "normal", porém digo, ainda buscando nos meus arquivos mentais, que quando se é diferente, se é destaque, se é unânime, se é único.                    
Bem ou mal, bom ou mau. Essa é minha opinião, queira você ou não. O que não me interessa é o que achas.

                                                      Ariam Cavalcante - 22 Julho/2011

terça-feira, 22 de janeiro de 2013


Reflexão dos olhos multicores...



       Certa vez, estava no trem chegando à central do Brasil, quando me deparei com um "poema". Escrito em uma parede depredada, ele era exatamente assim:

    "Pra que olhos azuis
     Se o que nóis chera é verde
    e dexa o nosso vermelho..."

Confesso que até agora este enigmático "poema" me deixou a "ver" navios!
Uma mistura de cores onde, apesar do português inovado, esse que chamamos de coloquial (nesse caso da comunidade local), demonstrou ser pensativo e criativo. Logo que li pensei, o que uma erva não faz com as pessoas... Porém, apesar da simplicidade; causa reflexão, talvez "chera o verde" seja a forma mais "adequada" para entender, de fato, essa "transformação" dos olhos... Ou talvez você possa perguntar a algum "ser viajante" que veja por aí (não é difícil...). 
Esse pequeno texto realmente me causou reflexão. Preocupo-me se em um futuro bem próximo esse tipo de leitura possa se tornar literária... E olha que eu não ligava muito para as leituras metafóricas de Machado de Assis... Espero que mais Machados apareçam e que a reflexão se torne um foco mais metafórico, onde apesar de ser um pouco mais difícil de entender, pelo menos no início, é melhor do que precisar metamorfosear minha íris em várias cores para que eu possa entender um simples texto idiota, cheio de erros de português e simplesmente descartável.


                                                      Ariam Cavalcante - 11 Julho/2011

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Boa Noite!


Postarei textos que escrevi durante algum tempo atrás, todos com datas. Portanto quando eu postar um novo vocês terão conhecimento.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Recepção


Posso dizer bem-vinda ou quem sabe chega mais.
Posso convidá-la a entrar e viver.
Posso chamá-la a ler e refletir.
Mas não posso lhe explicar o todo motivo.

Posso lhe explicar, talvez, o mínimo ou quem sabe o máximo.
Posso ser relativo ao relatar.
Posso criar uma fantasia ou a realidade.
Mas a resolução é sua.

Posso denotar ou quem sabe figurar.
Posso odiá-la ou amá-la.
Posso lhe mostrar o céu ou o inferno.
Mas a escolha é sua.

Posso ter um propósito ou quem sabe sou louco.
Posso viver e morrer aos poucos.
Posso o posso e não posso parar.
Mas você, a pessoa no papel de leitor e crítico do saber, pode mais.

Muito mais...

                                                     Ariam Marinho - 20 Janeiro/2013